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Valmir Vilmar de Sousa

vevesousa1958@gmail.com

MEMORIAS



Ontem sai a caminhar chutando lata pelo chão, olhando as vitrines, mirando as paisagens que surgiam a minha frente. O sol estava maravilhoso, radiante, provocando belas sombras sob os arvoredos da praça, da rua. Eu com meus pensamentos longe daquele lugar me vejo a rememorar fatos da minha vida. Vejo-me a lembrar do nosso primeiro encontro no restaurante à beira mar. Eu estava só, contemplando o luar, assistindo o violonista a dedilhar canções que provocavam inevitáveis viagens ao tempo diante da luz do luar que banhava as águas. Em um momento de desconexão te vejo na mesa ao fundo com alguns amigos toda feliz, sorrindo, acompanhando com movimentos labiais a música ambiente. A princípio fico a contemplar tua beleza exterior. Teus lábios cor de mel, teus cabelos longos, negros e encaracolados, feito uma deusa africana. Tua pele morena e teu belo sorriso. Sinto não ser correspondido naquele momento então volto a contemplar a lua, minha companheira de agora.

O tempo passa, eu perdido em meus pensamentos quando sinto um toque carinhoso no meu braço acompanhado de um perfume inundando meu espaço. Vejo uma linda morena com um sorriso largo me convidando a dançar, penso estar sonhando ou o efeito das doses de uísque consumidas até então? Não, não era sonho, era tu mesma em minha frente estendendo a mão para irmos à pista de dança. Meu coração palpitou, meu rosto enrubesceu, minhas pernas tremeram, mas nem por isso eu recuei, pois esta era minha intenção estar contigo naquela noite, mesmo que éramos estranhos um para o outro. Iniciamos a dançar, eu a sentir teu perfume, a maciez de tua pele, teus passos precisos revelaram ser uma exímia dançarina, me apaixonei a primeira vista. No meio da madrugada te convido a dormir em meu apartamento, pois desejava uma noite ardente de amor sem regras, sem preconceitos, com entrega total de ambos a luxúria, a uma excitação desenfreada. O teu sorriso sugeriu estar de acordo com o convite então rumamos para o meu endereço.

Durante o trajeto fomos conversando, trocando beijos, atos obscenos ao som de músicas românticas que rolava no pen-drive do carro. Ao chegarmos abri uma garrafa de vinho que costumo reservar para momentos especiais. Bebemos a primeira taça na sala onde rolou um ensaio do que seria nossa noite. A segunda taça bebemos na hidro envolto em espumas e troca de carícias, nossa primeira transa da noite. Sentimos nossos corpos ardentes provocando um ao outro, nossos gozos. Tu, feita uma tigresa insaciável pedia mais, oferecia mais e eu a responder teus desejos me perdia em devaneios obscenos, suor e excitação. A terceira taça de vinho bebemos na varanda namorando a lua esperando o dia amanhecer e iniciar mais um dia de prazer. Memorias...



Valmir Vilmar de Sousa (Veve) 03/04/18